O "estranho" sempre tomou uma certa atenção da humanidade. Durante alguns anos o que era estranho era excluído, depois passou a ser tratado, e hoje em dia, há uma nova tendência: o experimentar.

desvio-e-normalidadeComo designar que algo é estranho? No que diz respeito a sexualidade, existe o Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM-IV), um manual científico da saúde mental, nele é descrito as disfunções sexuais (aquilo que não funciona bem) e as parafilias (desvio), este manual assume padrões comportamentais, partem de um sistema universal e aplica num contexto particular as classificações confirmadas pela estatística.

Encontramos aqui o estranho; o que não funciona bem, instigam as pessoas a quererem ser normais, a procurarem ajuda para conseguir um equilíbrio psicológico, visto que a disfunção sexual causa angústia pessoal ao indivíduo e ao parceiro. A normalidade aqui aparece como objectivo.

E o desvio? As parafilias, fantasias e práticas sexuais específicas que um indivíduo necessita para atingir a excitação e o orgasmo. Foi a própria parafilia que impulsionou o nascimento da sexologia no fim do séc. XIX.

Mas o que é feito hoje do desvio? Quem realmente tem uma parafilia geralmente não procura ajuda porque tem a percepção de que é normal. Então sobra um resto, o desvio do prazer e das práticas radicais de experimentação. Aquilo que dantes era patologia, hoje surge como uma variante de experiência e busca de novas sensações de prazer, as pessoas procuram parafilias específicas e simulam relações sexuais como se as tivessem, serão eles ?desviados? ou estamos caminhando para um novo conceito de sexualidade?