Afectos e Sexualidade: Impacto da Doença e da Deficiência Mental

Quando falamos de sexualidade humana estamos a traduzir um diálogo entre os aspectos fisiológicos e os aspectos emocionais e afectivos. Os processos afectivos, os sentimentos de amor e os processos relacionais são indissociáveis dos processos cognitivos e comportamentais.

Cada indivíduo desenvolve estes processos de forma individual, singular e personalizada, ou seja, a sexualidade é vivenciada por cada pessoa de forma diferente. O estatuto de um diagnóstico não torna uma pessoa assexuada, mas traz anexa uma carga de dificuldades em experimentar e exprimir a sexualidade de uma forma completa e satisfatória. No entanto, essa dificuldade acaba por ser muito diferente entre uma pessoa com diagnóstico de deficiência mental e outra com diagnóstico de uma doença clínica.

O doente clínico na maioria das vezes já viveu num contexto de normalidade e de forma autónoma, tendo tido um desenvolvimento psico-afectivo dentro dos parâmetros da considerados normais, enquanto que o deficiente mental não reconhece o conceito de normalidade em si, este sofre um deficit na dimensão cognitiva/intelectual, o que altera a sua capacidade de abstracção, imaginação e simbolização, o deficiente em alguns casos não é autónomo e não reage a interacção social de forma esperada. O doente clínico sofre impacto sobre as respostas fisiológicas, sobre a percepção subjectiva destas modificações fisiológicas, e da própria interpretação cognitiva das mesmas, esse doente sofre uma transmutação que pode ter impacto directo sobre os aspectos físicos; pode sofrer efeitos psicológicos reactivos relativamente à doença e/ou do tratamento da patologia, desregulando principalmente a vivência daquilo que ele entendia como sexualidade e a afectividade já desenvolvida pode funcionar como um regulador na reconstrução da sua sexualidade.

No deficiente o impacto acompanha durante todo o percurso de vida, causando um impacto sobre o desenvolvimento da sua sexualidade e da sua adaptação social devido aos comportamentos interpretados como sendo desadequados e a vivência de uma sexualidade adequada pode amenizar o sofrimento que a deficiência acarreta. A possibilidade, ou não, do deficiente e do doente se exprimirem sexualmente está condicionada pelo seu grau de deficiência e/ou incapacidade e pelo contexto sóciocultural envolvente. É importante que lhes seja proporcionado um acompanhamento institucional, familiar e social adequado para suavizar os efeitos negativos gerados pela deficiência/doença, propiciando uma melhoria a nível da qualidade de vida.