Abstracts

A sexualidade, por vezes, pode ser impedida por condições adversas a vontade da mulher e/ou do casal, como no caso do vaginismo. Este é definido como a recorrente ou persistente contração involuntária dos músculos que constituem o terço externo da vagina aquando da tentativa de penetração do pénis, dedo, tampão ou outro objecto, causando mal-estar acentuado ou dificuldades interpessoais. Geralmente a contração da musculatura da vagina ocorre quando a mulher tem ou prevê ter dor, sendo que a própria antecipação ou medo a podem causar. Estas emoções de medo podem gerar crenças em torno da dor, sendo que a mais frequente a de violação, pois as mulheres tendem a associar dor à violação, mesmo não tendo tido episódios de violação ao longo da vida.

É uma resposta condicionada que provoca ansiedade e medo em torno da penetração quando a mulher acredita que vai sentir dor ou quando experiencia dor sexual. Durante a relação sexual o foco da atenção incide sobre a zona genital e no coito provocando a contração da musculatura da vagina, e ocasionalmente de todo o corpo (pernas, abdómen, braços e pescoço). Esta contração dificulta e/ou impede a penetração e aumenta a probabilidade de sentir dor, gerando um ciclo vicioso.

As crenças fazem parte da estrutura cognitiva de cada pessoa ao longo do seu percurso de vida. Estas estruturas cognitivas podem ser classificadas vulgarmente como a “filosofia de vida” de cada indivíduo, referindo-se a representações internas construídas desde a infância, através de experiências repetitivas.

Estas crenças básicas servem de referência para compreender, interagir e agir com objectos e situações e são o fundamento dos pensamentos automáticos e acções de um indivíduo em qualquer relacionamento. Quando iniciada uma relação, o indivíduo transfere as suas teorias implícitas sobre as relações, sobre como as relações deveriam ser, como o outro deveria agir, etc.

As crenças sobre os relacionamentos e sobre a interacção do casal podem ser aprendidas através de fontes primárias como a família, as regras culturais, os meios de comunicação e as primeiras experiências românticas e sexuais. No entanto, esta aprendizagem pode ser deficitária podendo ser responsável pelo aparecimento de crenças disfuncionais, como por exemplo, modelos que não são representativos de populações mais vastas (modelos familiares disfuncionais, elemento sistémico significativo com pressupostos enviesados, media, experiências negativas, etc.), percepções imprecisas e incorrectas de acontecimentos que ocorreram durante a vida (percepções selectivas de dado modelo ou dada informação) e correlações ilusórias (quando se pressupõe uma correlação entre acontecimentos baseando-se numa associação significativa para o observador).

Cada vez mais os homens estão preocupados com a sua performance e com o prazer que podem proporcionar a sua/seu parceira/o. A maioria dos homens aprende a atrasar e controlar o orgasmo e o seu tempo de resposta ejaculatória com a experiência sexual e com a idade, com o objectivo de prolongar o acto sexual e aumentar a satisfação própria e da/o companheira/o. No entanto alguns homens não conseguem conter a ejaculação ou ejacular no momento desejado.

A Ejaculação Prematura é a disfunção sexual mais comum nos homens e atinge cerca de 22,4% dos homens portugueses. É descrita como a persistente ou recorrente  ejaculação, com ou sem orgasmo associado, com estimulação sexual mínima, antes, durante ou imediatamente após a penetração e antes que o homem o deseje, causando acentuado mal-estar ou dificuldade interpessoal, e em muitos casos, pode causar insatisfação sexual do próprio ou da/o parceira/o.

Durante séculos o ser Humano recorreu a bruxaria e simpatias para tratar os problemas de foro sexual. Na Idade Média, por exemplo, a bruxaria e a medicina andavam entrelaçadas, a ciência ainda não conseguia explicar o porquê de uma disfunção sexual, bem como não apresentava um modo eficaz de tratamento, tendo utilizado métodos pouco fidedignos durante muitos anos, tais como xaropes, afrodisíacos, sangrias, conselhos fantásticos entre outros.

Actualmente a ciência evoluiu, tanto ao nível do conhecimento físico, como do conhecimento psicológico e tecnológico, conseguindo compreender as causas e o tratamento das disfunções sexuais de forma adequada e eficaz. No entanto, uma percentagem significativa de pessoas ainda recorre a bruxos/as para efectuar tratamentos/curas das disfunções sexuais.

Numa actividade sexual/relação sexual, é esperado que o momento do orgasmo do homem seja acompanhado pela ejaculação. O processo ejaculatório não só está relacionado com o orgasmo, como também com a reprodução.  Trata-se de um conjunto de fenómenos neuromusculares que permitem a expulsão do esperma para o exterior do corpo, sendo acompanhados geralmente pela sensação de prazer, ou seja, o orgasmo, embora, por vezes, a ejaculação possa ocorrer sem orgasmo, ou o orgasmo possa ocorrer sem a ejaculação.

Quando a relação sexual é irrompida por alguma alteração no que diz respeito à ejaculação, o impacto pode ser emocionalmente prejudicial ao homem, à mulher e/ou ao casal, principalmente quando envolve consequências como a infertilidade, desempenho sexual insatisfatório, e insatisfação quanto ao prazer de um ou de ambos os membros do casal.

Antes de começar, gostaria de agradecer a organização das Jornadas pelo convite. Confesso que fiquei surpresa pelo convite por dois motivos, em primeiro lugar não sou psicanalista, embora seja uma grande simpatizante, logo não falaria sobre o inconsciente e pulsão e em segundo lugar minha comunicação estaria circunscrita no discurso do saber.

Quando o José Martinho (JM) me convidou referiu que poderia falar sobre o que a sexologia pode ter para dizer sobre homens e mulheres”, possibilitando que eu escolhesse o ponto de vista que entendesse melhor. Sugeriu também que eu fosse ao site da Antena do Campo Freudiano (ACF) ler as lições online sobre o tema das Jornadas (Homens, Mulheres e Psicanalistas).

Embora tenha pedido que eu preparasse uma comunicação sobre os homens e as mulheres, devido a um imprevisto logístico, o tema foi reformulado. Agora tentarei falar-vos sobre os homens.

Após ler as lições online e após a reformulação do tema, resolvi fazer uma apresentação bastante descontraída, onde misturo alguns conceitos da sexologia e disparates² pessoais, na tentativa de englobar o discurso do saber da sexologia.

Actualmente a normalidade é definida pela norma estatística. Desta forma, o critério de normalidade baseia-se na incidência de dado comportamento sexual, dos padrões culturais e do período histórico. No entanto, durante muitos anos, as condutas sexuais raras ou invulgares foram consideradas “anormais”, “aberrações” ou desviadas. O termo científico Sexualidade Atípica ou Parafilia, que veio substituir estas terminologias baseadas em julgamentos morais, significa Atracção (Filia) ao lado (Para).

As parafilias são marcadas por fantasias recorrentes sexualmente excitantes, impulsos sexuais ou comportamentos sexuais que implicam, geralmente, excitação sexual como resposta a estímulos invulgares, tais como objectos não humanos, sofrimento ou humilhação do próprio e do seu parceiro, crianças ou outras pessoas sob coação. São acompanhadas de impulsos persistentes e recorrentes, que variam de intensidade, na maioria dos casos, são compulsivas ou de difícil controlo, tal como os adictos de drogas. Em alguns casos, isto é explicado devido à comorbilidade entre a parafilia e a Perturbação Obsessivo-compulsivo.