As crenças fazem parte da estrutura cognitiva de cada pessoa ao longo do seu percurso de vida. Estas estruturas cognitivas podem ser classificadas vulgarmente como a “filosofia de vida” de cada indivíduo, referindo-se a representações internas construídas desde a infância, através de experiências repetitivas.

Estas crenças básicas servem de referência para compreender, interagir e agir com objectos e situações e são o fundamento dos pensamentos automáticos e acções de um indivíduo em qualquer relacionamento. Quando iniciada uma relação, o indivíduo transfere as suas teorias implícitas sobre as relações, sobre como as relações deveriam ser, como o outro deveria agir, etc.

As crenças sobre os relacionamentos e sobre a interacção do casal podem ser aprendidas através de fontes primárias como a família, as regras culturais, os meios de comunicação e as primeiras experiências românticas e sexuais. No entanto, esta aprendizagem pode ser deficitária podendo ser responsável pelo aparecimento de crenças disfuncionais, como por exemplo, modelos que não são representativos de populações mais vastas (modelos familiares disfuncionais, elemento sistémico significativo com pressupostos enviesados, media, experiências negativas, etc.), percepções imprecisas e incorrectas de acontecimentos que ocorreram durante a vida (percepções selectivas de dado modelo ou dada informação) e correlações ilusórias (quando se pressupõe uma correlação entre acontecimentos baseando-se numa associação significativa para o observador).

Desta forma, as crenças podem influenciar os processos conjugais afectivos e comportamentais, bem como a qualidade da relação, principalmente no que se refere a satisfação conjugal e a satisfação sexual. Estudos apontam que a sexualidade pode interferir sobre a satisfação conjugal, assim como a satisfação conjugal pode interferir sobre a sexualidade. A expressão de afectos e a comunicação são um dos factores mais relevantes tanto para a satisfação conjugal como para a satisfação sexual. Para além destes factores, o amor, a intimidade emocional, a sexualidade e outros, implicam na satisfação conjugal, e a auto-estima, a empatia e o compromisso na satisfação sexual.

A satisfação conjugal e a satisfação sexual são um processo de interpretação subjectiva de felicidade e bem-estar que cada indivíduo idealiza para sua relação amorosa e sexual. Esta avaliação baseia-se na estrutura cognitiva básica, ou seja, nas crenças sexuais. Caso estas crenças sejam disfuncionais, podem gerar uma percepção subjectiva de insatisfação relativamente à relação íntima, gerando pensamentos e comportamentos inapropriados, exagerados, rígidos e ilógicos, face a relação e a sexualidade, dando origem ao desapontamento e à frustração, reflectindo uma imagem negativa da relação.

À medida que o padrão da relação se torna predominantemente negativo, poderá originar um agravamento da insatisfação e um acumular de experiências conflituosas com o conjugue, dando azo à deterioração da qualidade conjugal, bem como uma maior probabilidade de disfunção sexual.

A satisfação conjugal e sexual são importantes para uma relação saudável. Caso não esteja satisfeito/a converse com o parceiro/a e/ou procure um Terapeuta, para que possa auxiliar quanto às causas e soluções.