A sexualidade, por vezes, pode ser impedida por condições adversas a vontade da mulher e/ou do casal, como no caso do vaginismo. Este é definido como a recorrente ou persistente contração involuntária dos músculos que constituem o terço externo da vagina aquando da tentativa de penetração do pénis, dedo, tampão ou outro objecto, causando mal-estar acentuado ou dificuldades interpessoais. Geralmente a contração da musculatura da vagina ocorre quando a mulher tem ou prevê ter dor, sendo que a própria antecipação ou medo a podem causar. Estas emoções de medo podem gerar crenças em torno da dor, sendo que a mais frequente a de violação, pois as mulheres tendem a associar dor à violação, mesmo não tendo tido episódios de violação ao longo da vida.

É uma resposta condicionada que provoca ansiedade e medo em torno da penetração quando a mulher acredita que vai sentir dor ou quando experiencia dor sexual. Durante a relação sexual o foco da atenção incide sobre a zona genital e no coito provocando a contração da musculatura da vagina, e ocasionalmente de todo o corpo (pernas, abdómen, braços e pescoço). Esta contração dificulta e/ou impede a penetração e aumenta a probabilidade de sentir dor, gerando um ciclo vicioso.

O vaginismo é mais comum em mulheres jovens, sendo habitualmente exclusivo de interações sexuais, podendo não ocorrer em exames ginecológicos, colocação de tampões, etc. A maioria dos casos se manifesta no início da vida sexual, sendo menos comum após as mulheres terem experimentado relações sexuais com presença de coito. Esta disfunção sexual é descrita como uma das mais raras, no entanto, estudos recentes em Portugal referem que a incidência é de 4,2% na população geral e de 25,5% na população clínica, tendo ocorrido um aumentado significativo do número de mulheres que procura ajuda especializada.

Esta disfunção sexual está associada, principalmente, a factores psicogénicos, tais como a ansiedade (presente em 100% dos casos), resposta a uma disfunção sexual do parceiro, experiencia sexual traumática, preocupação relativa à orientação sexual, princípios religiosos rígidos, medo de gravidez ou de Infeções Sexualmente Transmissíveis. Há mulheres que desenvolvem a disfunção sexual reactivamente aos conflitos conjugais. Geralmente, são mulheres que sentem a relação do parceiro como distante, agressivo, pouco participativo nas tarefas de casa e na educação dos filhos, em casais que não possuem uma boa comunicação e que não fazem actividades em conjunto.

Geralmente as mulheres que sofrem de vaginismo têm uma boa resposta sexual a nível do desejo, lubrificação e orgasmo através da estimulação directa do clítoris. Algumas mulheres que têm vaginismo mantêm relações anais frequentes como forma de compensar a falta da penetração vaginal, pois, em alguns casos, pode existir a crença de que se a penetração existir aumenta a satisfação do parceiro,  evitando a ruptura do relacionamento.

As reações do casal face ao problema são muito variadas. Alguns não valorizam e outros desenvolvem conflitos a nível conjugal. Alguns parceiros de mulheres que apresentam esta disfunção sexual podem desenvolver sentimentos de rejeição ou crenças, tais como de que a parceira não quer ter relações sexuais, que é o causador da disfunção sexual, que não é atraente o suficiente, que a mulher tenta boicotar o acto sexual, que não é capaz de dar prazer à parceira, entre outras, prejudicando a relação conjugal e/ou causando uma disfunção sexual, tais como, ejaculação prematura ou disfunção eréctil.

É necessário que o casal mantenha uma boa comunicação sobre o problema e que ambos procurem ajuda especializada de um terapeuta sexual e de um ginecologista para avaliar, diagnosticar e verificar a existência de algum factor orgânico. Depois de ser diagnosticado é importante que realize o tratamento adequado que tem uma taxa de sucesso muito grande, sendo mais elevada quando a pessoa que apresenta a dificuldade, bem como o casal, está disposta e receptiva ao tratamento e as aplicações das técnicas terapêuticas.