A menopausa/climatério é um período crítico da sexualidade, envolvendo múltiplos factores que actuam, simultaneamente, de forma positiva ou negativa, e favorecem mudanças profundas na saúde emocional e fisiológica. Esta fase do ciclo de vida da mulher é representativa do fim do período reprodutor. Mas a sexualidade humana não tem como fim único a procriação e é também uma forma de comunicação, de obtenção de prazer e de interacção.

A chegada do climatério exige um processo de adaptação complexo. Com o aumento da esperança de vida, mulheres e homens passaram a adaptar-se às novas condições de saúde, sociais e sexuais. O homem ganhou um coadjuvante na sua sexualidade, o viagra/ciális/levitra, a mulher ganhou com a evolução tecnológica e com o advento das reposições hormonais. Começou a pensar-se mais na qualidade de vida associada à idade/velhice, sendo a sexualidade importante para a mesma.

 

A saúde sexual nesta fase depende de factores orgânicos, tais como a saúde ginecológica, desde o controle do pH da vagina, da sua flora saprófita, da existência de processos inflamatórios ou infecciosos, o perfil hormonal e a fase do ciclo funcional, bem como do contexto social e cultural, e da história sexual e conjugal da mulher e do casal.

Na menopausa, além dos problemas sexuais, entre 50% a 70% das mulheres sofrem sintomas somáticos, depressão, perturbação do sono, perturbação da ansiedade, dificuldades emocionais, variação do humor, incontinência urinária entre outros. Também 64,3 por cento das mulheres possuem comorbilidade com patologias orgânicas (e.g. diabete e hipertensão), 61,3 por cento têm excesso de peso, o que contribui para baixa auto-estima. Outros factores que afectam a auto-estima são o medo de envelhecer, a consciência da proximidade da morte, a sensação de inutilidade, poucas ou pobres relações afectivas, a morte de amigos e/ou familiares, a independência dos filhos e as condições da reforma. Além das alterações hormonais a auto-estima e, em alguns casos, os problemas conjugais estão na causa das dificuldades sexuais. A sexualidade é um reflexo de todo este contexto.


Embora a dificuldade sexual mais comum seja a perturbação da excitação, o que corresponde à dificuldade em lubrificar, também há baixa no desejo sexual, aumento das relações sexuais dolorosas e dificuldade em atingir o orgasmo.

É indicado que cada mulher faça uma consulta periódica com o ginecologista, pois é importante determinar os valores hormonais nesta fase e efectuar as respectivas correcções, seja com estrogénios e /ou testosterona, ou através da reposição hormonal (caso o mesmo indique), tratar os aspectos psicológicos em terapia, em caso de incontinência urinária, fazer fisioterapia para reabilitação do pavimento pélvico e tentar manter uma vida sexual activa em casal e/ou através da masturbação. A mulher terá a capacidade de manter o desejo mais tempo ao longo da vida, e de, nas várias fases da actividade sexual, se tiver vivências comportamentais relacionadas com hábitos saudáveis, tais como o exercício físico, as consultas de ginecologia para avaliação local de patologias e correcção do seu perfil hormonal. O resultado final será uma sexualidade diferente e não menos gratificante.