DepressãoNos últimos anos a depressão ganhou mais protagonismo, seja pelos elevados índices estatísticos da população portuguesa em relação ao consumo dos anti-depressivos, seja pelo relevante aumento da procura de ajuda para o sofrimento intenso que envolve custos pessoais e sociais bastante marcados.

A depressão é uma doença mental caracterizada por tristeza mais assinalada ou prolongada, perda de interesse por actividades habitualmente sentidas como agradáveis e perda de energia ou cansaço fácil. Trata-se de uma perturbação do humor, de gravidade e duração variável, que é muitas vezes recorrente e acompanhada por uma variedade de sintomas físicos e mentais, tais como humor triste persistente, perturbação do sono, perda de interesse ou de prazer pelas actividades habituais, diminuição da energia e fadiga, perda do apetite ou do peso (raramente aumento), diminuição da eficiência, auto-recriminação e culpa, incapacidade para se concentrar e tomar decisões, ansiedade, irritabilidade, agitação, lentidão e diminuição do desejo e das funções sexuais.

Na depressão grave estão presentes todos os referidos sintomas, acompanhados por idealização, planos ou tentativas de suicídio, recusa da alimentação e ideias delirantes e/ou alucinações.

A falta de interesse acompanha o diagnóstico, tal como a falta de interesse pela vida, pelo prazer e pelas relações sexuais. O tratamento da depressão é importante na remissão dos sintomas. No entanto, um número significativo de medicamentos anti-depressivos pode reforçar a diminuição do desejo, apesar de melhorarem o quadro depressivo. As pessoas que fazem tratamento com alguns anti-depressivos específicos têm uma probabilidade quatro vezes maior de falarem sobre problemas sexuais no que toca ao desejo/interesse, erecção e o orgasmo/ejaculação.

Estudos referem cinco explicações para relação causal entre a disfunção sexual e a depressão: stress psicossocial, que constitui parte invariável da disfunção sexual, podendo estimular o desenvolvimento da depressão secundária em indivíduos vulneráveis; a disfunção sexual pode ser um sintoma da depressão; a medicação para a depressão pode levar à disfunção sexual; factores como o consumo do álcool e tabaco, doenças vasculares, entre outros, podem ser etiologicamente relacionados com ambas as doenças; e a depressão e a disfunção sexual podem ter etiologias não relacionadas.

Qualquer pessoa pode ter ou vir a ter uma depressão durante a vida. Esta é duas vezes mais frequente nas mulheres do que nos homens e atinge cerca de 20 por cento da população portuguesa. Cerca de 35 a 47 por cento dos pacientes depressivos apresentam alguma disfunção sexual. Destes, 72 por cento apresentam falta de desejo sexual, 50 referem problemas de lubrificação, 15 manifestam dificuldades a nível do orgasmo e 9 por cento relatam disfunção eréctil.

Tanto a depressão, quanto a disfunção sexual possuem tratamento com níveis de sucesso elevados que pode ser realizado através de terapêutica farmacológica e/ou psicoterapia/terapia sexual. É necessário fazer uma consulta com um especialista para definir o tratamento mais adequado a cada caso de forma a tratar os sintomas e aumentar a satisfação e o prazer na vida e na sexualidade.