Quando nasce um filho existem alterações físicas e emocionais. No entanto, a mudança que envolve a intimidade neste contexto é contínua, necessitando um processo de adaptação do casal.

Antes do nascimento do primeiro filho, o casal está mais envolvido um com o outro, possivelmente devido a fase de limerence, um estado de paixão, em que é propiciada a união e o conhecimento mútuo. O par está a identificar o que tem em comum, há um maior investimento na sexualidade, na descoberta, uma maior predisposição para aventura e experimentação. Após o nascimento do primeiro e consequentes filhos, a privacidade é invadida pela presença física de uma criança/adolescente e dos receios emocionais que isso acarreta.

intimidade_e_os_filhosA família, que até então era constituída por dois elementos a construírem uma história una, passa a ter um terceiro, quarto, ou quinto elemento que, embora desejado, obriga a ter, na relação, outras condicionantes que exigem adaptação constante no sentido de serem adquiridas competências familiares e sem que o casal perca a sua própria identidade. Esta adaptação acompanha os conjugues nas várias fases do ciclo de vida do casal, a etapa da formação do casal, da Família com filhos pequenos, da Família com filhos na escola, da Família com filhos adolescentes e da Família com filhos adultos (empty-nest).

Após o nascimento do primeiro filho, há uma tendência da sexualidade ser posta de lado e/ou em segundo plano. Estudos indicam que a qualidade da vida sexual, bem como da satisfação sexual pioram com o nascimento do primeiro filho e tem uma melhoraria significativa com a saída do/s filho/s de casa, na medida em que eles se tornamautónomos e deixam de ser uma fonte constante de preocupação/stress. Durante o desenvolvimento do(s) filho(s), também pode ser fonte de stress a preocupação em satisfazer as suas necessidades quanto à educação, os imprevistos, a atenção exigida, entre outros.

Tanto o homem como a mulher podem mudar o comportamento. Estudos referem que quando há um filho/a, ou seja, uma pessoa dependente, há um aumento de sentido de responsabilidade, o homem tende a aumentar o investimento no trabalho, para garantir a sustentabilidade da família, passa a preocupar-se mais com a sua saúde e a sua segurança e a da família. Por vezes, a mulher é mais sobrecarregada na educação dos filhos, principalmente, nos três primeiros anos. Algumas mulheres deixam de trabalhar ou passam a exercer a sua função em part-time. No entanto, trabalhar só em casa ou em casa e fora desta, pode aumentar o cansaço, o stress, a frustração, o que também poderá ter consequências sobre a sexualidade.

Estudos referem que índices elevados de stress, alterações hormonais, baixa auto-estima, problemas de auto-imagem, conflitos conjugais devido à educação do(s) filhos(s) entre outros, estão relacionados com uma baixa frequência de relações sexuais. No entanto, pode ser apenas uma fase de adaptação em que o casal pode regular as necessidades conjugais e sexuais.

Outro factor corrente é que a mulher e/ou o homem, por vezes, dirigem-se um ao outro como mãe/pai o que contribui para uma deterioração da identidade feminina/masculina e do casal. Em alguns casos a auto-estima do homem pode ser afectada pela recusa da mulher em ter relações sexuais, podendo este sentir-se rejeitado e/ou pouco amado e desejado.

Tanto no caso de adopção como com filhos biológicos, ocorre uma mudança marcada em relação a um maior investimento da mulher no filho do que no marido. A destituição da sexualidade em prol do filho pode imputar sentimentos de exclusão e sentimentos de pouco investimento na relação, podendo ser prejudicial à sexualidade.

Os casais com maior índice de satisfação relativamente à comunicação, intimidade, partilha, amor, resolução de conflitos e coerência na educação possuem maior probabilidade de passar pelo processo de adaptação de forma natural e saudável.

A sexualidade é subjectivamente descrita pela maioria dos casais como sendo o momento de investimento na relação afectiva, amorosa e conjugal. Cabe ao casal investir na adaptação desta fase para que a sexualidade não passe a ser uma fonte de stressem detrimento do prazer.