Uma amiga minha de longa data tem duas filhas adolescentes. Sempre que falamos queixa-se amargamente do trabalho que tem em casa e do pouco que as filhas ajudam. Um dia destes resolvi enviar-lhe uma carta que afixei na cozinha há alguns anos, confrontada que estava com um problema semelhante em minha casa.

Ei-la:

«Todos os dias é preciso olhar para a casa e perceber o que está por fazer. O melhor é fazer logo e não deixar nada «para depois». O depois é o nunca mais, a saída mais fácil que obrigará outros a fazerem por nós.

Todas as manhãs arrumar o quarto, limpar o pó, ver se há máquinas da loiça e roupa para despejar ou carregar e se é preciso apanhar pêlos da cadela ou das gatas. Elas não sabem fazer limpeza, nem servir-se de comida, nem têm direito à chave da porta para ir à rua. Daí que seja necessário ver as comidas e higienes dos animais.

À noite, deixar a sala devidamente arrumada, com as mantas e os sofás tudo direito. Passar os papa-pelos pelas mantas. Verificar se há máquinas para ligar e se há roupa seca para apanhar.

Dobrar a roupa interior e arrumar.

Pelo menos dia sim/dia não, lavar as bacias da casa de banho.

Ao longo da semana ir limpando o pó, sempre que necessário; despejar os lixos e as embalagens.

Ao sábado de manhã limpar bem o pó a tudo, incluindo as portas e as paredes. À tarde aspirar, o que pode ser feito de 15 em 15 dias ou todas as semanas, consoante o estado da casa e a consequente necessidade.

É MUITO IMPORTANTE OLHAR EM VOLTA, COM OLHOS DE VER, E VERIFICAR  AS NECESSIDADES!!!!!

Tudo se torna simples se for feito um pouco todos os dias e se a preguiça ou o comodismo não entrarem neste jogo. Todas o jogaremos e veremos quem ganha o prémio semanal.

Sobretudo, a partir de agora, podeis cansar-vos de ser filhas, porque, em matéria de arrumação e limpezas, eu estou cansada de ser mãe».