Por Margarida Maria

As minhas filhas insistiram para irmos – coisas de mulheres – beber um copo todas juntas. E assim, fomos, não sem antes passarmos num Centro Comercial para comprar umas calças para a mais nova. E, afinal, os copos ficaram por ali, não por causa da crise ou do preço das calças mas pela indefinição que se vive de afinal o que é e o quê.

Passo a explicar: a nossa ideia era ir a um bar, ouvir um pouco de música e, mais tarde, passarmos por uma discoteca onde (garantem elas!) passam música dos anos 80 para podermos «abanar o capacete» como naquela época se dizia. E já que era dia de santa festa, resolvi, eu também, contribuir e convidá-las para jantar fora.

Fomos, pois, a um restaurante perto de casa, com preços em conta e onde podíamos partilhar o menu. Um jantar agradável de quatro mulheres, sendo que uma delas – eu! – era a mãe das outras. Foi divertido, a conversa franca, o riso fácil. A noite seria um sucesso, tal como outras que, de vez em quando, passamos.

E pronto, lá partimos em busca das calças pretendidas pela mais nova, com as mais velhas a brincarem e a dizerem piadas sobre isto e mais aquilo, no intervalo das provas.

É que as mil e uma lojas que visitámos não nos tornaram possível qualquer conversa, nem mesmo para expressar opinião sobre as calças. A música ensurdecedora que se passa nestes estabelecimentos é absolutamente inacreditável e os decibéis tornam-nos surdas. Não há qualquer possibilidade de se efectuar uma compra em condições daquela natureza, sendo que os funcionários que ali trabalham deveriam ter um subsídio especial para otorrinolaringologia dados os riscos que correm.

Por mim, optei por dizer às minhas filhas que era melhor comprar as calças num estabelecimento de comércio tradicional onde se pode escolher, conversar, opinar e sair de calças novas.

Quanto ao mais, gostaria de saber se o Instituto do Ruído já se preocupou com situações desta natureza.

Nós fomos logo para casa e deixamos a noite de santa festa marcada para uma próxima oportunidade já que a minha cabeça (pelo menos a minha) não aguentava mais.

E pergunto-me se é justo para bares e discotecas terem concorrentes nas lojas de roupa…