Por Margarida Maria

Ao longo da minha vida profissional – sou jornalista – deparei-me com inúmeras situações que me marcaram para sempre. As crianças (graças a Deus que existem em toda a parte!) fazem parte de muitas dessas vivências. E, pelo Mundo fora, elas estão presentes em formas tão diferentes que se torna gritante a violação dos Direitos Humanos e dos Direitos das Crianças no que respeita à igualdade em todos os sentidos.

As notícias vêm e correm mundo: uns têm tanto e outros tão pouco. Na Tailândia o turismo sexual está virado para os menores, mas o mesmo já sucede em países ditos desenvolvidos até na Europa. O Direito à infância parece ter desaparecido e os mais novos envelhecem precocemente num sofrimento sem limites.

As miseráveis condições de vida, a falta de escrúpulos de quem «compra» e de quem «vende» a infância, a miséria, mais do que outra coisa qualquer, moral faz com que o trabalho de tantas ONG’s, como a Save the Children, no estrangeiro, ou IPSS’s, como o Instituto de Apoio à Criança, em Portugal, entre (felizmente) muitas outras, seja uma gota de água num oceano de dinheiro. Porque, afinal, é de dinheiro que se trata!

Mas há mais: há países, sobretudo africanos, em que o mito de que ter relações sexuais uma virgem cura a Sida leva a que a disseminação da doença esteja longe de ter um fim.

Apesar de tudo, neste confuso Mundo em que vivemos, são geradas esperanças, curiosamente surgidas da guerra.

Há anos, em Moçambique conheci uma Casa de Mães. Eram isso, de facto! Mulheres, com filhos vivos ou que tinham morrido durante os combates que fizeram tantas vítimas inocentes (os tais «danos colaterais»), juntaram-se e construíram casas, criaram escolas e acolheram os órfãos dessa mesma guerra. O projecto, notável a todos os títulos, criou ondas de solidariedade e dali saíram já muitos homens e mulheres que têm, no seu passado, uma fé e uma esperança que lhes permitirá evitar os trilhos do desamor.

É de África que vem este exemplo concreto. Uma África em que, no passado, as crianças nasciam e eram educadas pela comunidade. Com laços afectivos certos em relação aos seus progenitores mas com a garantia de que, na falta daqueles, não seriam órfãos afectivos. E se uns pais tinham umas obrigações, outros tinham outras e as crianças, criadas juntas, eram uma espécie de irmandade imbatível.

Conheci um homem em Portugal educado num ambiente destes e falava de todos os seus 29 irmãos com um carinho igual. Até ao dia em que percebi que, afinal, era filho de único de uma mulher que morrera de parto. Nunca fora órfão, nunca fora só, e nesta Europa «desenvolvida», encontrou os horrores que, na sua terra, seria impensável que as crianças sofressem.

Num dia, em que trabalhava no serviço voluntário em que o conheci, deixou-me – a mim  que sou jornalista – esta questão pertinente: - Porque é que aqui as pessoas não conseguem pensar que as crianças são um pouco filhas de todos e tratá-las todas como se fossem os seus próprios filhos?

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