Por Margarida Maria

Há uma frase lindíssima que diz: «Quando nasces só tu choras e todos riem. Vive de modo a que, quando morreres, todos chorem e só tu rias». Não tem autor. Ou melhor, há que a atribua a Confúcio, mas numa outra formulação. Nos termos escritos, parece que o autor é desconhecido, mas que serve um pouco para todos nós.

E eu, o que tenho a ver com isso?, Perguntará o leitor. Pois muito, porque nascer, todos nascemos; viver, todos vivemos; morrer, todos morremos; e rir, (quase) todos rimos.

Nascer não depende de nós. E felizmente que depende dos nossos pais. De outro modo, corríamos o risco de não ter tido grandes pessoas como Einstein, a Madre Teresa de Calcutá, Ghandi, e, claro, nós próprios. Com efeito, conheço gente que afirma: «Quem me dera não ter nascido!» ou «Porque nasci eu? Para sofrer?» e fico perplexa porque são pessoas com o dom da vida e que não o apreciam e preferem queixar-se. Tenho até amigos que dizem estas enormidades e apresso-me a afirmar: «Ainda bem que não dependeu de ti!».

Saber viver é de facto uma ciência que, em meu entender, passa pela simplicidade e por apreciar as coisas boas da vida, como um beijo na hora certa, um abraço apertado, uma gargalhada dada com muito gosto, um gelado num dia de calor, um banho de cascata, ou uma massagem naquele dia em que o corpo está exausto.

Saber morrer é outra ciência que, infelizmente, nos dias que correm, cada vez depende menos de nós próprio e mais dos médicos e dos serviços de saúde que nos infernizam o fim da vida, até quando estamos prontos a desistir ou não queremos, simplesmente, lutar.

E há o rir, aquele sorriso amarelo, o sorriso mais ou menos, o sorriso aberto. E há o riso, a risada, a gargalhada.

Pois, foi mesmo esta que me ia matando! Quer dizer, eu estava a comer cerejas quando a minha filha disse uma coisa. Eu entendi mal e desse mal-entendido resultou um trocadilho de tal modo hilariante que eu ri, ri, ri com aquelas gargalhadas que a minha mãe sempre achou um exagero.

Resultado: engasguei-me. Mas como sou de sonora gargalhada, de sonoro espirro, de tudo um exagero, engasguei-me à séria. De repente, já estava da cor das cerejas, os olhos a rebentarem nas órbitas; a minha filha, em pânico, dava-me palmadas nas costas, apertava-me o corpo e eu não conseguia inspirar nem um pouquinho de ar. A sério! Julguei que ia morrer.

Foi mais tarde, recordando aquela aflição que me dei conta do melhor: quando perguntassem à minha mãe, às minhas filhas, aos meus amigos, fossem a quem fosse «de que morreu?» indubitavelmente poderiam responder «A rir, como viveu!»