Por Margarida Maria

Cada vez mais há gente discriminada. É por isto ou por aquilo, ou mesmo por nada e tudo. Os fumadores têm a sua opção de fumar cada vez mais coartada e sem que haja o mínimo respeito pelos espaços – escassos – que lhes estão destinados. Não se defende aqui o consumo do tabaco, mas o direito à dignidade de quem fuma. E se há países que não têm manifestamente esse respeito, outros há que surpreendem pela positiva e pela recusa em desrespeitar mesmo aqueles com quem não se concorda.

Dizem que Portugal é um País de brandes costumes. Mas será? Será ainda?

Muitos dos meus amigos optaram por deixar de fumar. Uns conseguiram fazê-lo, outros nem tanto e outros ainda continuam a tentar.

Não foi o meu caso. Optei por continuar a fumar pela simples razão de que me dá prazer, como me dá prazer beber uns copos com amigos, ir ao cinema e tantas outras coisas. Não faço nada disto em excesso (por exemplo, nunca me embriaguei), mas o que faço é por prazer e porque me apetece. Porque sim…

Depois de alguns anos sem viajar de avião, e tendo entrado em vigor em Portugal as medidas antitabágicas, a surpresa foi total quando, no aeroporto internacional de Lisboa, fui confinada a uma cubículo infecto, sujo, malcheiroso onde nem um cigarro se podia fumar, quando o consumo do tabaco deve representar ainda um prazer, como beber um copo e partilhar uma boa conversa com amigos.

A viagem era para a Suíça onde todas as regras nos assustam e deixam em pânico qualquer bom latino. A última experiência em Nova Iorque tinha sido dramática: num quarto de hotel destinado a fumadores, depois de cinco cigarros fumados vinha o empregado informar que o alarme já tinha disparado. E eu interrogava-me por que tinha pagado um quarto para fumadores que, sim, é mais caro do que o destinado aos não fumadores.

Por isso, a ida à Suíça ameaçava ser um pesadelo no que respeita ao tabaco.

E foi aqui que encontrei a grande surpresa. É que este país é tão perfeitamente organizado e o respeito pelos direitos tão cumprido que no aeroporto de Zurique há várias salas para fumadores: salas bem decoradas, agradáveis, com sofás, ambientadores e cinzeiros lindos. Os quadros decoram o espaço onde, mesmo os não fumadores, podem descansar um pouco. São zonas de estar para se estar, se conviver e, quem quer, ter o prazer de fumar um cigarro, uma cigarrilha, quiçá um charuto.

Quando o fundamentalismo antitabágico atinge o mundo, como se o tabaco fosse o grande inimigo da saúde, esquecendo que os escapes de carros antigos, de camiões e até autocarros, fazem muito pior e nem por isso são mais controlados, encontrar um aeroporto onde todos têm lugar é entregar a quem desembarca um excelente cartão de visita.

Se a Suíça cumpre regras – as tais que a Democracia devia cumprir para funcionar – depois desta chegada a Zurique, quase perdoamos que albergue as fortunas de alguns «pobres» portugueses que encontram aqui múltiplas formas de «lavar» dinheiro ou, simplesmente, fugir aos impostos.