Por Margarida Maria

Thylane Blondeau é uma criança. Os pais são famosos: ele é um ex-futebolista e ela uma apresentadora de televisão. Thylane Blondeau teria tudo para ser uma criança mimada (no melhor sentido da palavra) e feliz. Mas é modelo desde os quatro anos e agora, aos dez, foi capa da revista francesa Vogue. A maquilhagem carregada, as jóias caras, os saltos altos, os lençóis com padrão de leopardo e as poses sensuais transformaram a criança em mulher (?), numa imagem distorcida do que é ser criança e ser mulher.

As críticas não se fizeram esperar e o mundo manifestou-se contra esta situação, ainda que muitos colunáveis e notáveis (?) defendessem que é tudo uma forma de arte.

São muitos os exemplos de crianças que assim foram criadas e educadas e, anos mais tarde, acabaram por sucumbir à fama, ao desespero, às drogas, a uma solidão demasiado acompanhada para poder ser vivida.

Há filhos que não merecem os pais que têm e se há situações em que defesa das crianças deve ser assumida é, exactamente, nos casos em que os pais, tendo por obrigação proteger as crianças, as expõem. Algum tribunal de menores devia ter em conta o que a maioria das leis consagra: «O superior interesse da criança», e retirar a estes pais o direito de utilizarem a filha.

É que, aos dez anos, é tempo ainda de mudar a roupa às bonecas, jogar no computador, até dar uns pontapés na bola e, sobretudo, de brincar, de brincar muito.

A presidente do Instituto de Apoio à Criança (IAC) afirmou, há muitos anos, numa entrevista ao Diário de Notícias, que «precisamos de ter crianças mais felizes para termos adultos mais felizes».

Pobre rica Thylane Blondeau…