Por Margarida Maria

Quando eu era mais jovem, com ironia, os meus irmãos e eu afirmávamos que o meu Pais sofria de uma inacreditável pontualidade atrasada. Na verdade, somente aos domingos ele chegava a casa e às 13 horas todos tínhamos de estar à mesa. Quem não estivesse… não comia! Verifico hoje que a falta de respeito pelos horários é uma constante. Mas será a falta de respeito pelos horários ou, simplesmente, pelo outro?

Recentemente uma amiga contou-me que o chefe marcou uma reunião às 14 horas. Ela tinha um compromisso às 16 e, como o chefe não chegava, foi-se embora. Mais tarde, recebeu um telefonema irado do mesmo chefe, porque ela não tinha esperado. Respondeu-lhe que, a partir desse dia, as 14 horas eram 14 horas e não 17. Porque, se fossem 17, a reunião seria agendada para essa hora. Disse-me, dias mais tarde, que o chefe passou a estar nas reuniões à hora marcada.

Também há pouco tempo, um amigo tinha marcado uma reunião, com várias pessoas, às 10 horas. Uma delas, que vinha de Paris, ligou a dizer que só conseguiria estar às 15 horas, pelo que o encontro ficou marcado para essa hora. Às 15 horas, a única pessoa presente era a que vinha de Paris…

Como este meu amigo tinha combinado encontrar-se comigo mais tarde, devido a um trabalho que temos em conjunto, e me ligou, às 22 horas, a dizer que não poderia comparecer porque a reunião ainda decorria, reflecti sobre estas situações.

Falta de respeito pelos horários? Uma ova! Os transtornos causados aos meus amigos pela falta de pontualidade dos outros mostraram que eles não estavam, de facto, interessados em alguma coisa, quiçá nesses meus amigos ou nos presentes nos encontros.

Cada vez mais esta falta de respeito pelos compromissos assumidos é frequente. Como se a vida dos outros tivesse de se sujeitar ao tempo de alguns.

E quando não se respeitam os outros (leiam-se, também, os horários dos outros), não se pode respeitar nada nem ninguém. Por isso, tomei uma decisão: se o meu chefe não chegar a horas, vou-me embora, porque tenho outra vida além do trabalho e mereço todo o respeito.

Se todos acabássemos com as esperas a que alguns nos obrigam, talvez tudo estivesse mais ordenado no Mundo e os países, os governantes, os políticos, compreendessem que as promessas/compromissos são exactamente isso e devem, portanto, ser cumpridas.