Por Margarida Maria

A minha amiga Maria é uma cinquentona divertida e que aprecia a vida «todos os dias» como gosta de dizer. Divorciada, com quatro filhas, todas crescidas, trabalha, estuda e diverte-se. «A vida é tão curta que só temos de a viver bem e de facilitar tudo, todos os dias», refere amiudadas vezes.

Tem, aliás, algumas máximas que jura a pés juntos não serem suas. São de alguém que lhas disse e que apreendeu como coisa certa: «O que for teu às mãos te virá parar», «Deus, o Universos, seja aquilo em que acreditas, só te dá na medida em que podes aguentar», «O difícil faz-se e ao impossível dá-se-lhe um jeito». E assim vive na sua «alegre irresponsabilidade» como se o mundo não tivesse amanhã.

Recentemente conheceu um homem que foi entrado, muito devagar, no seu espaço. Claro que ele o fez porque a própria Maria implicitamente o autorizou. A distância, porque ele não vive na cidade de Maria, tem sido uma dificuldade, do ponto de vista dele. Já ela pensa o contrário: «Quando nos encontramos só temos coisas importantes para dizer e fazer, não perdemos tempo com discussões ou conversas estéreis como muitos casais fazem e como eu vivi durante o casamento».

A verdade é que se vão encontrando de vez em quando, quando ambos podem. Os recursos hoje disponibilizados também permitem que se falem e até se vejam. Utilizam o skype quase todos os dias e assim vão matando saudades.

Uma noite, ambos tinham muito trabalho a cumprir. Ligaram os computadores e foram trabalhando, cada um em sua casa. De quando em vez trocavam algumas palavras, em brincadeiras ligeiras, em apartes, em pequenas trocas de palavras de afecto. E o trabalho ia sendo feito. Já tarde na noite, Maria perguntou-se se ele tinha jantado. Diante da resposta negativa, aconselhou-o a comer alguma coisa, mas ele ripostou que queria acabar o que estava a fazer. Maria ralhou. E ele ripostou. Maria ralhou. E ele ripostou. Pelo meio, quase num desafio, ele ia pondo músicas através do Youtube.

Foi então que uma das filhas da minha amiga Maria assomou à porta do escritório e viu a mãe a trabalhar e a falar na internet, a trabalhar e a ouvir música, a trabalhar e a discutir com o namorado. Riu e riu e riu. A mãe olhava-a intrigada.

«Oh mãe!!! Estás na net e a trabalhar ao mesmo tempo? E a ouvir música? Sê Bem-vinda ao mundo dos adolescentes… Nunca mais te zangues comigo!», ria ainda a filha da Maria.

Esta história, convém que se saiba, foi a própria Maria quem ma contou.