Crónicas

Por Margarida Maria

Cada vez mais há gente discriminada. É por isto ou por aquilo, ou mesmo por nada e tudo. Os fumadores têm a sua opção de fumar cada vez mais coartada e sem que haja o mínimo respeito pelos espaços – escassos – que lhes estão destinados. Não se defende aqui o consumo do tabaco, mas o direito à dignidade de quem fuma. E se há países que não têm manifestamente esse respeito, outros há que surpreendem pela positiva e pela recusa em desrespeitar mesmo aqueles com quem não se concorda.

Dizem que Portugal é um País de brandes costumes. Mas será? Será ainda?

Por Margarida Maria

O título deste texto é, como se sabe, (quase) tirado do livro de Gabriel García Márquez, editado em 1981. Mas não é de tão insigne escritor que vamos falar. Vamos falar de uma jovem, de 27 anos, que apareceu morta no dia 23, na sua casa em Londres. Vamos falar da promissora Amy Winehouse, nascida em Setembro de 1983 e cujo fim trágico se adivinhava.

Mas não é a única que, naquela idade, tem uma trágica morte e há mesmo quem, no meio do espectáculo, fale «Clube 27». Vai já longa a lista dos grandes mitos musicais do século passado que morreram com essa idade. Amy Winehouse, cantora de enorme talento e uma vida de excessos, juntou-se ao trágico grupo de que fazem parte Brian Jones (guitarrista britânico encontrado morto na piscina na madrugada de 2 para 3 de Julho de 1969), Jimi Hendrix (guitarrista afro-americano que terá morrido sufocado no próprio vómito depois de ter ingerido um cocktail fatal de soporíferos e vinho tinto no dia 18 de Setembro de 1970), Janis Joplin (a cantora americana foi encontrada morta num quarto de hotel no dia 4 de Outubro de 1970, poucos 15 dias depois de Hendrix, com uma overdose de heroína), Jim Morrison (vocalista dos The Doors morreu no dia 3 de Julho de 1971 em Paris, em consequência de uma crise cardíaca, para uns, e de overdose, para outros), Kurt Cobain (o guitarrista e vocalista dos Nirvana suicidou-se com um tiro no dia 5 de Abril de 1994 na sua casa de Seattle).

Por Margarida Maria

É verdade, tirei a carta de condução já tinha 44 anos. Durante anos a fio, na minha adolescência, os meus pais preocuparam-se em que eu fizesse essa parte da educação, à semelhança do que sucedeu com os meus quatro irmãos. Nada. O meu grau de distracção era tão grande que, um dia, passei pelo meu Pai na rua, dei-lhe as boas tardes e segui o meu caminho, questionando-me de onde conhecia aquele senhor.

Ao longo dos anos, fui percebendo que não podia aprender a conduzir: uma mosca, uma folha de árvore, um pássaro eram mais do que suficientes para eu me abstrair. Por duas vezes quebrei os ossos próprios do nariz, uma vez num poste de electricidade que se desviou para o meu caminho, e outra numa árvore que se atravessou no meu trajecto.

Por Margarida Maria

Lembro-me do dia em que fiz 50 anos. Muitos amigos me diziam que era o princípio da velhice. A verdade é que nunca senti o peso da idade: nem aos 30, nem aos 40, nem aos 50. Senti-o agora, com o meu irmão mais novo.

E passo a explicar: durante toda a vida de que me lembro, os meus anos eram sempre festejados. Se não pelos outros, pelo menos por mim. Recordo-me de ter feito 23 anos e estar sozinha. Estava grávida, mas o meu marido encontrava-se no estrangeiro e eu não tinha família por perto. Mesmo assim, fiz questão de ter um bolo, cantar os parabéns a mim mesma e apagar as velas. A propósito, o bolo estava lindo!

Por Margarida Maria

Há uma frase lindíssima que diz: «Quando nasces só tu choras e todos riem. Vive de modo a que, quando morreres, todos chorem e só tu rias». Não tem autor. Ou melhor, há que a atribua a Confúcio, mas numa outra formulação. Nos termos escritos, parece que o autor é desconhecido, mas que serve um pouco para todos nós.

E eu, o que tenho a ver com isso?, Perguntará o leitor. Pois muito, porque nascer, todos nascemos; viver, todos vivemos; morrer, todos morremos; e rir, (quase) todos rimos.