Crónicas

Por Margarida Maria

Nelson tem 36 anos e Madalena 34. Estão casados há seis anos e há quatro decidiram que era altura de terem um primeiro filho, tanto mais que ambos, sendo filhos únicos, desejavam ter uma família grande.

Aos 20 anos Nelson teve um problema canceroso e o cuidado de pedir à médica que o assistiu para fazer uma recolha de esperma ainda antes de dar início à quimioterapia. A médica achou que «não valia a pena». Alegou que o tempo curaria «eventuais sequelas», até porque seria «uma quimioterapia ligeira».

Passaram 16 anos e o casal, resolveu fazer exames para perceber qual o motivo de Madalena não engravidar. A resposta foi clara: trata-se de uma consequência da quimioterapia feita por Nelson aos 20 anos. A mesma que lhe resolveu um problema mas lhe criou outro, este sim, escusado.

Uma amiga minha de longa data tem duas filhas adolescentes. Sempre que falamos queixa-se amargamente do trabalho que tem em casa e do pouco que as filhas ajudam. Um dia destes resolvi enviar-lhe uma carta que afixei na cozinha há alguns anos, confrontada que estava com um problema semelhante em minha casa.

Ei-la:

«Todos os dias é preciso olhar para a casa e perceber o que está por fazer. O melhor é fazer logo e não deixar nada «para depois». O depois é o nunca mais, a saída mais fácil que obrigará outros a fazerem por nós.

Por Margarida Maria

Os políticos enchem-nos de palavras como crise, economia, finanças, taxas, PIBs e muitas outras coisas. Na rua fala-se da crise, no café fala-se da crise, no emprego fala-se da crise e até em casa, com a família se fala da crise. Ela está aí, instalada, fazendo parte do nosso quotidiano.

Um amigo regressado da Grécia dizia que andou horas em Atenas à procura de um restaurante para poder comer qualquer coisa. E, aterrorizado, explicou que Atenas é uma cidade deserta. «Tudo está fechado, as lojas, os cafés, tudo, mas mesmo tudo. Além disso, não se vêem pessoas nas ruas e, à noite, a cidade está morta».

Por Margarida Maria

No dia 20 de Outubro o ditador líbio Muhammar Kahdafi foi assassinado. De facto, de uma forma muito clara, o ditador foi assassinado. Assim mesmo! Afinal, quem o matou tornou-se igual ao antigo presidente da Líbia.

Pode-se ter ou não gostado de Kahdafi e das suas políticas. Na minha opinião ele era um ditador e todos os ditadores devem ser destituídos. Mas há coisas que me chocam em toda esta história.

Por Margarida Maria

A minha amiga Maria é uma cinquentona divertida e que aprecia a vida «todos os dias» como gosta de dizer. Divorciada, com quatro filhas, todas crescidas, trabalha, estuda e diverte-se. «A vida é tão curta que só temos de a viver bem e de facilitar tudo, todos os dias», refere amiudadas vezes.

Tem, aliás, algumas máximas que jura a pés juntos não serem suas. São de alguém que lhas disse e que apreendeu como coisa certa: «O que for teu às mãos te virá parar», «Deus, o Universos, seja aquilo em que acreditas, só te dá na medida em que podes aguentar», «O difícil faz-se e ao impossível dá-se-lhe um jeito». E assim vive na sua «alegre irresponsabilidade» como se o mundo não tivesse amanhã.